A CULTURA NÃO PODE CONTINUAR A PRODUZIR TALENTO E A REPRODUZIR POBREZA

Uma nação que não cuida dos seus artistas corre o risco de perder a memória, empobrecer a sua identidade e desperdiçar uma das suas maiores fontes de riqueza.

Por Adalberto Costa Júnior

Angola tem músicos que fizeram dançar gerações, escritores que deram palavras à nossa história, actores que deram rosto às nossas inquietações, bailarinos que levaram a nossa identidade aos palcos e artesãos que preservaram conhecimentos transmitidos ao longo de séculos.

Mas temos de fazer uma pergunta que não pode continuar sem resposta: por que razão um país capaz de produzir tanta riqueza cultural permite que tantos dos seus criadores terminem a vida profissional sem património, sem protecção e sem condições dignas de sobrevivência?

Não é falta de talento. É falta de organização económica, de oportunidades e de uma política pública que compreenda o valor do trabalho artístico.

O problema de Angola não é a ausência de cultura. É a incapacidade de transformar cultura em rendimento, emprego, empresas, turismo e riqueza nacional.

Nós queremos mudar esta realidade.

A UNITA propõe construir uma verdadeira economia da cultura. Queremos que o músico possa viver da música, que o escritor possa viver da escrita, que o actor possa viver do teatro e do cinema, que o artesão possa transformar o seu conhecimento num negócio sustentável e que o jovem criador encontre no seu talento uma oportunidade de realização pessoal e profissional.

Não queremos artistas dependentes de favores. Queremos artistas com direitos, contratos, mercados e liberdade.

Não queremos que um músico tenha de escolher entre a sua consciência e uma oportunidade de trabalho. A cultura não pertence a nenhum partido. A cultura pertence aos angolanos.

Por isso, defenderemos regras transparentes de financiamento, incentivos ao investimento privado, protecção dos direitos de autor e mecanismos públicos que permitam aos criadores transformar as suas obras em activos económicos.

O Estado deve dar o primeiro passo onde o mercado ainda não consegue chegar. Deve apoiar a formação, proteger o património, incentivar a criação, corrigir desigualdades territoriais e facilitar o investimento. Mas deve fazê-lo com regras claras, fiscalização e respeito pela liberdade artística.

Queremos festivais que movimentem hotéis, restaurantes, transportes e comércio. Queremos filmes angolanos que conquistem novos públicos. Queremos a música angolana a gerar contratos internacionais, a moda a criar empresas, os livros a chegar às escolas e as línguas nacionais a serem valorizadas como património vivo.

Queremos que Cabinda, o Zaire, Luanda, Malanje, o planalto central, Benguela, o Namibe, o Cuando Cubango e o Cunene sejam reconhecidos não apenas pela sua geografia, mas também pela riqueza das suas culturas.

Queremos aproveitar a tecnologia e a inteligência artificial para abrir oportunidades aos jovens, proteger as obras dos criadores e levar a nossa produção cultural a novos mercados.

E queremos cuidar dos artistas que fizeram a nossa história. Uma sociedade não pode aplaudir os seus músicos no auge e abandoná-los quando os holofotes se apagam.

Não prometemos transformar todos os artistas em milionários por decreto. Comprometemo-nos a criar condições para que o trabalho cultural possa gerar rendimentos, empresas, património e dignidade.

A nossa visão não é a de um Estado que controla tudo. É a de um Estado que cria oportunidades, mobiliza o investimento privado, protege os direitos dos cidadãos e garante que ninguém seja excluído por não possuir ligações políticas.

Angola precisa de uma economia que não dependa exclusivamente do petróleo. E a criatividade dos angolanos deve fazer parte dessa transformação.

A cultura pode criar empregos para os jovens, gerar receitas para as empresas, atrair turistas, promover o país e transmitir às próximas gerações aquilo que recebemos dos nossos antepassados.

O nosso compromisso é construir uma Angola em que o talento não seja condenado à pobreza, a liberdade não tenha preço e a cultura seja uma fonte de prosperidade partilhada.

Porque uma nação que valoriza os seus criadores não está apenas a proteger o seu passado. Está a investir no seu futuro.

Angola merece mais. Os seus criadores merecem dignidade. E a nossa cultura merece transformar-se numa verdadeira força de desenvolvimento nacional.

No actual contexto, a nossa ideia passa por: 𝐨 𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐚́ 𝐨 𝐩𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐨, 𝐜𝐫𝐢𝐚 𝐨 𝐦𝐞𝐫𝐜𝐚𝐝𝐨, 𝐫𝐞𝐠𝐮𝐥𝐚 𝐚 𝐜𝐨𝐧𝐜𝐨𝐫𝐫𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐚 𝐞 𝐫𝐞𝐭𝐢𝐫𝐚-𝐬𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚𝐫 𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐯𝐨𝐚𝐫. 𝐔𝐦𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐠𝐞𝐫𝐚 𝐫𝐢𝐪𝐮𝐞𝐳𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐚𝐫𝐭𝐢𝐬𝐭𝐚, 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐨 𝐄𝐬𝐭𝐚𝐝𝐨 𝐞 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐚 𝐢𝐦𝐚𝐠𝐞𝐦 𝐝𝐞 𝐀𝐧𝐠𝐨𝐥𝐚. 𝐔𝐦𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐫 𝐡𝐨𝐛𝐛𝐲 𝐞 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚 𝐚 𝐬𝐞𝐫 𝐢𝐧𝐝𝐮́𝐬𝐭𝐫𝐢𝐚, 𝐩𝐚𝐭𝐫𝐢𝐦𝐨́𝐧𝐢𝐨 𝐞 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐨.

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